22/11/11
Mais do que se imagina!
Depois de um ano bem batalhado, com treinos realizados em plena madrugada e com um índice mínimo de treinos perdidos; o corpo já pedindo trégua, tive que me dar algumas semanas de descanso depois de algumas provas mais "puxadas"; eis que me encontro face a face com a última prova da meta anual.
Se no meu primeiro ano, 2009, a meta era SIMPLESMENTE CONCLUIR a São Silvestre, aquela tradicional, que começava e terminava na Paulista depois de vencer o grande desafio que é a Brigadeiro, não essa "aberração" que inventaram pra 2011.
E em 2010, a primeira meta foi correr minha 1ª Meia Maratona e a segunda meta era concluir a mesma São Silvestre abaixo de 1h40min.
A meta desse ano era um pouco mais ambiciosa. Para 2011 me desafiei a concluir 4 meia maratonas. Originalmente, seriam a Corrida da Ponte, a Meia Maratona Caixa Cidade do Rio de Janeiro, os 21k Ciudad de Buenos Aires e a Meia Internacional de Frei Galvão.
Mas uma grande qualidade que descobri em mim foi a ADAPTABILIDADE!
Em um ano muita coisa muda!
A Meia Maratona Caixa Cidade do Rio de Janeiro seria trocada pela ASICS Golden Four - Rio de Janeiro, por conta de compromissos familiares; e a Meia Internacional de Frei Galvão, que aconteceria na minha cidade e eu imaginava que a família toda poderia prestigiar o fim da meta, foi cancelada pela Prefeitura Municipal. E em seu lugar, escolhi a última etapa do Circuito Athenas, era a última prova de 21k do ano que eu teria chance de participar. Era ela ou ficar sem concluir a meta.
Confesso que me inscrevi só por esse motivo. Sempre procurei correr 21k em lugares com um visual bem bonito para ajudar a passar o tempo da prova. E não me imaginava "curtindo" a paisagem de uma marginal de Sampa.
Os resultados durante o ano vieram bem a contento.
Tendo meu melhor tempo na minha primeira prova na distância, em julho de 2010 no Rio de Janeiro - 2h15min. E participado da edição 2010 da meia maratona do "santo da casa", Frei Galvão, com 2h20min. Comecei a meta me perguntando se eu era feito pra isso mesmo.
A primeira prova da meta foi a difícil prova da Corrida da Ponte, atravessando a Baia de Guanabara e enfrentando um calor desumano na "Perinfernal", em 2h37min. Da primeira prova 21k para essa meus tempos estava aumentando em vez de diminuir. A confiança já ia minando.
A segunda prova acabou sendo a ASICS, num percurso que favorecia baixar o tempo e me imaginei voltando a correr 21k abaixo de 2h20min. Num dia onde tudo deu certo, acabei fazendo em 2h11min. Estávamos de volta à batalha, com espirito renovado.
Intensificamos mais ainda os treinos e fomos a terra dos argentinos buscar mais um tempo. Numa prova nem tão plana como se anunciava e sob um frio polar, consegui baixar mais um tanto o relógio para 2h11min.
Bom, agora restava encarar a prova de São Paulo. Confesso que depois do Trial Prophecy, teste da inovação da Mizuno, em plena USP (com direito a uma "esticadinha" com o amigo Eduardo Acácio em volta da Raia da USP) ao lado da Marginal Pinheiros, me senti meio amedrontado de enfrentar um calor infernal no último desafio da meta anual.
Por conta de um certo cansaço que se abateu na carcaça, pouco menos de um mês para a prova em São Paulo, dei uma diminuída nos treinos de corrida e aumentei os treinos de descanso. Sábia estratégia, que me permitiu me sentir confortável novamente.
Na semana que antecipava a prova me senti diferente. Uma calma estranha havia se instalado no local antes tomado de ansiedade nas outras provas. Uma sensação de tranquilidade em relação a minha preparação. Principalmente depois de tudo o que houve na prova do domingo anterior à esse, conforme contei no post anterior.
Mas era chegada a hora de correr! Eu fui a São Paulo com o propósito apenas de correr e me divertir fechando a meta anual junto aos amigos #TwittersRun da Capital do Estado. Uma galera pra lá de animada, onde tenho grandes amigos. Fui com a família, meu maior apoio durante o ano, nessa minha saga pessoal.
Depois de passarmos um sábado tranquilo, com direito a "passadinha" na 25 de Março pra D.Patroa pedir a benção (e eu ficar descansando no estacionamento), aproveitando tudo a que tinha direito na arena onde fomos buscar o kit (e mais uma vez eu me poupar de ir participar de um certo desafio na esteira), fechamos o dia com chave de ouro num encontro com os amigos Anderson Zacarias (@andzacarias) e Cintia Esteves (@Cintia_Esteves).
Pronto, era hora do último descanso antes da "Batalha da Athenas".
Pra mim é um grande mentiroso aquele que diz que entra numa prova sem pensar que tempo vai fazer! Eu não consigo! hehehehe
Estava indo para a prova com um "número mágico", como diz meu amigo Nelton (@neltonn). Se eu conseguisse fazer 2:07:59 já iria rir para caramba! Mas meu número mágico era ficar abaixo de 2h05min.
Acordei bem cedo e parti pro ritual de preparação (heheheheh todo mundo tem um!) e me vestir com a roupa já toda pronta desde antes do jantar. Mesmo morrendo de vontade de experimentar o Prophecy na distância, preferi não arriscar e usar o bom e velho Mizuno ProRunner que me acompanhou nas outras três provas de 21k.
Fazia um friozinho muito agradável e tratei de me equipar com os manguitos e pernitos a que tinha direito (olha a fuleiragem!).
Depois de todos acordarem e eu me alimentar como deu, visto que a anta aqui esqueceu que o hotel só serviria o café 10 minutos antes da largada, encontramos o casal Anderson e Cintia na recepção do hotel e partimos para pegar o trem até a largada.
Ali, na estação do trem, pude ver pela primeira vez a maior encrenca que teríamos no percurso, a Ponte Estaiada
dali já dava pra reparar que ela era bem elevada e me lembrei era um sobe-e-desce danado na própria. E que agora ela não estaria somente na segunda parte da prova, mas começaria já desde o km 6 a complicar o rítmo.
No trem, duas tribos se encontravam e se admiravam: os que voltavam da balada noturna e os que iam pra balada atlética. Chegamos na estação mais próxima da arena e a excitação foi tomando conta. Até o Gabriel e a Sarah (coitados) que estavam bem sonolentos já começavam a se contagiar.
Conforme nos aproximávamos da arena, já comecei o "strip-tease", pelo caminho já foram os manguitos para a bolsa e lá na arena foi só entregar os kits da Odila (@Odila_Noronha) e os pernitos davam adeus também


Novamente, reparo como a noção de tempo é relativa! Voce simplesmente não percebe o tempo passar.
Nem deu tempo de encontrar todos os amigos, botar o papo em dia e já estava na hora de ir pra largada. Tomei meu gel de carboidratos, dei um beijão na D.Patroa e nas crianças que estavam "super animadas"
e partimos pra largada. Caminhamos da arena até a Marginal Pinheiros e tomei meu lugar na baia, enquanto D.Patroa já buscava um lugar após a largada pra me ver passar.
Tudo estava dando certo, nem precisei esperar muito tempo lá na baia e já foi dada a largada. Após passar o pórtico engrenei um rítmo gostoso e sai buscando onde andaria minha inspiração. Um pouco mais a frente localizei D.Patroa e as crianças me desejando boa sorte. Gritei que os amava e parti.
Quando fui conferir o rítmo no GPS tomei até um susto: o rítmo gostoso que eu estava indo era de 5′10"/km. Tratei de dar uma reduzida pra não gastar tudo antes da hora e acabei fechando o 1º km em 5′35"/km. E fui procurando manter o rítmo até um pouco mais brando, por volta de 5′40"/km e 5′50"/km, enquanto via os TOP que corriam os 10km, começarem a passarem a passar no sentido oposto.
Lá pelo km 4,5 é que deu pra ver direito o tamanho da encrenca da Ponte Estaiada. A alça de saída da Marginal para a Avenida Jornalista Roberto Marinho já impressiona de tão elevada. No km 5,2 é que iniciamos a escalada para logo em seguida despencarmos para a avenida e o primeiro retorno, em direção à Ponte propriamente dita, e iniciarmos outra escalada para o vão sobre o Rio Pinheiros.
Despencamos para o outro lado do rio e encontramos uma reta no plano, boa pra retomarmos um pouco a velocidade até a subida de retorno ao outro lado do rio, onde aproveitei um posto de hidratação para mandar o primeiro sachê de carboidrato reservado pra prova.
Depois de subirmos até o vão novamente, nos precipitávamos novamente pela avenida de nome do fundador da Rede Globo e contornarmos outra vez em direção a outra subida por uma alça para acessarmos a marginal do mesmo lado onde tudo começou.
Depois desse trecho do percurso, que mais parece um prato de espaguete de tanto sobe, vira, desce, vira sobe e por ai vai. Estávamos meio tontos, mas já havíamos vencido a metade da prova. Ainda iríamos mais um trecho em direção ao Ibirapuera, nos afastando da largada, mas o pior já havia ficado pra trás, pelo menos em termos de dificuldade do percurso. Dali pra frente era tudo plano, o difícil seria vencer o cansaço.
Fomos quase o km 13 antes de tomarmos o rumo de onde havíamos partido, era hora de voltar do "passeio".
O caminho para chegada estava a nossa frente, depois de fazer um check-up rápido das condições da carcaça, decidi dar uma aliviada para recuperar bem o folego antes de acelerar pra chegada, mas mantendo o pace por volta dos 5′50"/km, não muito além disso!
E assim fui, buscando meus coelhos imaginários, escolhendo "vítimas" a serem alcançadas, naquela brincadeira mental que usamos para distrair a mente do cansaço das provas longas.
Quando avistei o posto de hidratação do km 16, saquei meu último sachê de gel de carboidrato e mandei pra dentro, mas o suor excessivo e o copo de água molhado não foram uma boa combinação e lá se foi meu copo para o chão tão logo sai da bancada de hidratação. Perdi alguns segundos, mas retornei para pegar outro. A essa altura do campeonato, faltando 5 km para a chegada, ficar sem hidratação seria suicídio.
Retomado o rumo, o cansaço começou a se aproximar, no km 18 dei a última aliviada pra retomar folego e partir pro ataque final.
Por volta do km 19 veio o outro susto! Ameaça de caimbra na panturrilha esquerda. Tratei de corrigira a postura e a passada e a danada deu uma trégua. E essas pequenas correções me fizeram até ganhar velocidade de novo. Até brinquei que tinha conseguido deixar a caimbra para trás e que nem queria ver quando ela me alcançasse.
Pouco antes do km 20 me lembrei de como é bom ser um TwittersRun! O amigo Robert Vaz (@Robertvaz) me viu passando e veio atrás me ofereceu isotônico e frutas, me lembro que só consegui responder que a única coisa que eu queria era a chegada. Minha fome e minha sede era de completar a minha meta! Eu já estava "com a faca nos dentes" novamente. Ainda lembro que conferi o GPS e ele indicava 1:57:29 quase no km 20,3. Fiz os cálculos e me espantei, o tempo que eu sonhava estava para ser alcançado.
Quando avistei a placa dos 500m, o arrepio tomou conta do corpo, era a hora de começar o sprint! Será que eu ainda teria alguma gota de combustível pra tanto? E eu tinha! Troquei o visor do GPS para uma tela que não me mostrasse nem tempo, nem rítmo e acelerei.
Acelerei o quanto pude e fechei o último km completo, o desejado km 21 com o pace de 5′18"/km, conforme fui saber mais tarde.
Nessa hora duas visões quase simultâneas me impulsionaram ainda mais, no pórtico o relógio mostrava 2:04:14 e um pouco mais além dele eu via a Angela, o Gabriel e a Sarah. Ai não tinha jeito de me parar!
Eu iria alcançar o número mágico e as pessoas que eu amo estavam ali para ver!
Aqueles últimos metros foram rápidos, mas quando escrevo parece que sou capaz de ouvir cada respiração que dei.
Lembro de que a última olhada que dei para o relógio, antes de pisar o tapete era de 2:04:52 ou algo assim. Nesse momento eu estava correndo a 4′14"/km, depois de percorrer 21,12 km!
Eu não só tinha conseguido concluir a meta como tinha feito o melhor tempo de todas as 4 provas!
Aquele nó na garganta me alcançou e foi um misto de riso e choro tremendo. Tomei um folego e fui até a cerca comemorar com a família.

Ainda na área de dispersão, com um sorriso que não saia dos lábios e com lágrimas que teimavam em escorrer
e não acreditando que tinha ido tão bem.

Comentando com o Gabriel que era inacreditável o tempo de 2:04 visto no painel do pórtico é que ele me lembrou: "Pai, mas esse relógio ai não é o tempo bruto?"
Como um pateta, acessei os dados do GPS e explodi de alegria
meu tempo líquido tinha sido 2:02:15 (2:02:11 pelo resultado oficial)!!!
Estava tão eufórico que nem tinha me dado conta disso!
Eu havia acabado de fechar a minha meta muito melhor do que jamais tinha sonhado!
A comemoração foi maior ainda.
Tratei de pegar algumas frutas para que o #UrsoQueHabitaMinhasEntranhas se distraísse e me deixasse comemorar direito
saí da área de dispersão com a medalha na mão, agora minhas outras três recordações de 21km deste ano tinham mais uma companhia

Agora era hora de comemorar, a temporada de 2011 havia terminado pra mim e com um sucesso muito maior do que eu esperava.
Daqui pra frente um pouco de descanso e provas para me divertir com os amigos e família.
A minha missão havia sido completada e com sucesso

Mais tarde eu conto mais do Circuito Athenas, agora eu vou ali descansar um poucadinho, que contar tudo isso me cansou de novo! hehehehe






criado por claudiob.linux
15:08:06 — Arquivado em: 


































































































